terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ancestral

Presto atenção nos teus contornos
Etéreos
Não seriam ainda restos de um sonho
Trazidos do que perdi na infância?
Não seria tu, o tesouro tomado
Das mãos de uma criança?
Seria tua ausência permanente
Alguma coisa por quem chora um órfão.

Quase ouço algo do teu riso
São as folhas que sussurram na noite
Imperceptíveis
Tão assim que quase o perderia -
O princípio de tua arquitetura muda e fria

Longe e imprevisível que se faz fria
Tão simples e perfeita, que se faz muda.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Carta Nº 02

Te faria cometer um crime, eu juro:
Beijarias todas as flores proibidas e obscuras desta vida.
Te faria  Medo,
Mas também Amante.

Ouviria teu coração displicente
Despertar louco, entre o tempo e o nada.
Te faria Desejo...
E Também Único.

Venderia a tua e a alma minha
Aos lençóis dos Deuses:
Te faria Fome
E também Eterno.

Desejaria dia a dia os teus olhos de pássaro
Com reflexos de gaiolas -
Eu te faria Antigo,
Mas também Amor.

Um Menos Um

Ah, deixe que naufrague,
Deixe que a tempestade
Caia solenemente do céu.
Se só existe esse porto
Disponível
Mais convidativo
É a tranquilidade esmeralda
Que me aguarda no fundo
Do mais conformado
Oceano.

Deixe que morra.
Antigos peixes largarão as nadadeiras
Escolherão asas
Para esse momento oportuno
O silêncio.