terça-feira, 9 de outubro de 2007

Canção da Guerra Não Travada

Havia antes um jardim
E nele - não plantadas - pousavam as flores,
Caladas, docemente.
E o Silêncio tenso,
Repousava por entre as flores
Medo de não ser percebido
Havia flores frágeis borboletas


Havia antes, na terra cintilante
O cheiro sólido de coisas fecundas,
Guardadas cheias de útero
Sorrindo a vida vindoura
Havia ouro de todas as cores enterrado

Havia uma cama onde todo o sono brincava com seu cão
Lia seu jornal e aproveitava o que seria domingo
Tudo branco
Novo
E outras coisas boas de tão velhas não virão mais.


Havia sonhos-meninos, dormindo entre os lençóis
E pela janela podíamos ver o sol se esconder
Derramando laranjas no jardim perfeito
Espantando as flores, como borboletas.

Nenhum comentário: