quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ato Falho


Eu não quero ninguém além de mim
Sei, tem quem diga:
Como é triste pensar assim
Mas de fato,
Eu morro e mato
Mereço bons tratos
De minhas próprias mãos

Ao longo da vida
Cansei de tantos nãos
De tantos nós e de Nós
Das despedidas
Agora eu, sozinho - estou de partida
Pra dentro de mim

Há um segundo atrás
Parei de chorar
Vendi minha porta
Comprei uma janela.
Ah, mas ela dá pro mar,
Ela dá pro mar.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um Riso


Não era ave, não era nada
Algo que corrompeu a nuvem
E fez do céu ninho inteiro
Disfarçado entre as folhas aéreas,
de passarinho.

Era um sonho, que de tão gigante
Pra ninguém notar
Meteu-se a miudinho.

E ficou lá, mudo, espiando
Pra um dia gritar pro mundo:
“Que lindo!”

Profecia

E o mundo não há de se acabar antes que venha algum herói
Que não conhece poemas
Mas os traz dentro de cada falange
Os fonemas deliciosos de estrofe
A digital de qualquer carícia.

Algum rebelde distraído
Viria carregado pelo vento –
Um alazão sem cor que nem branco nem negro
mas da cor da primitiva sorte.

O mundo não se acabará antes que eu diga – pode findar-se.
O amor há de passar pelo fogo do Armageddon
Por todos os fins de qualquer universo.

E ficará tão selvagem que a própria Natureza se recriará
Nas profundezas de alguns olhos estagnados
Enfim, o eterno.