domingo, 22 de agosto de 2010

Alline

Sempre me convidas, tu com teu sorriso:
Vamos abraçar as estrelas!
Não há nada de possível nesse era
Que impeça a cavalgada selvagem de teu coração.

Se te falam: o que é a beleza?
Tu a descreves com a vida
Pequena, frágil,
Sossegada e breve
Desta pequena flor amarela.

sábado, 21 de agosto de 2010

Deste

Se não podemos falar de amor
Falemos desta cama ainda quente
Onde cabem tantos dias
De corpos rotineiros

Da última vez que te disse adeus
Eu ia contar de altos voos
Recém colhidos do céu
Mas fazer o quê,
Se não podemos falar de amor?

Pelos menos perdoe a melancolia
Dos beijos velados
E dos desejos sentidos
Perder e nascer estão próximos
São irmãos diante de todo dia amanhecido
Também não sabem falar de amor


Mas neste quarto,
Tudo me fala de abraço
E conta histórias de futuro e respeito
Diante deles me disperso
Distraído nas janelas que poderiam ser meus olhos
Calados
Falando de amor pro único ouvinte céu.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nome

Não te chamo mais homem,
Nem pelo dado no batismo,
Onde teus pais te cobriram de bênçãos.
Talvez, Vento.
Decerto sabes o que ele faz com os moinhos –
Depois do giro selvagem das hélices
Sementes moídas e o convite ao trabalho
Incessante em mim mesmo.


Não te chamo, nem te digo: Ego!
Reconheço em todos os meus esforços
Um nome sagrado: Tempo.
Como num rio,
A correnteza dobra o capim motor
Dobra o dito, o prometido
E me torna capaz
De suportar com um sorriso
O que aos poucos
E sem pressa, não foi se cumprindo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Acemira

Fechar tudo que deixamos aberto,
E abandonar tudo que dói, ali ao longe.
Mas é na mente: nada se esconde!
E o que dói na gente, está sempre perto.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fato

Tudo é tão pequeno nesta vida
Que cabem, todas as coisas,
Em um simples verso.
Como se a gente soletrasse bem baixinho,
Sorrindo da própria sorte:
“U-ni-ver-so”.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Pergunta Acesa

Um dia a senhora Curiosidade baterá à tua porta e dirá:
O que vais fazer esta noite?
E abrirá o manto de possibilidades
Todas já um pouco descoloridas pela espera.
E na tua sala, um relicário, um santuário
Uma procissão de perguntas
Por onde andas e o que fazes


Velas acesas, orações suprimidas
Quase uníssonas em conformismo e saudade

Joelho postos, eu rezando
À estrela primeira de meus dias
Aquela que sempre me guiou sempre adiante
O ontem eu já expiei,
Devoto.
Prefiro o horizonte
Sei que vou ficando mais velho
Contudo se olhares bem dentro de meus olhos,
Verás brincando em um canto
Alheia a qualquer tipo de dor
A alma de um menino.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Entre Aberto

Estou no tempo onde as lembranças doem
As lembranças das lembranças estão perto do vazio
Se entreolham com cumplicidade
E dói violão, xampu sem sal, muitos travesseiros espalhados
Pela cama.
Macarrão com frango, café mal feito, tudo dói.
Até o espelho dói, minha identidade.

O tempo podia ter me engolido,
O coma passageiro dois dias apenas
E não iria me doer a mão espalmada,
Aberta em contrato
Convite aberto, dor aberta de ser o Apenas.

sábado, 7 de agosto de 2010

Papo Coração

Para Jana

Minha amiga de uma longa caminhada
Que começou agora
O sol vem sempre contigo
Tira o mofo de minhas entranhas

Na mesa posta,
Refeição farta de palavras
Eu bebo em teus olhos
Toda a quietude de dizer o que sou
Rimos dessa vida curta e besta
Enquanto pintamos outras paisagens
Lucidez

De noite quero te ouvir
Cantando
Porque é cantando
Que tu sorris como nenhum outro sol
Sorri.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Duo

O bom de ser dois
É realizar o conjunto
Como os dedos das mãos na hora de deitar,
Todos juntos
Como aqueles olhares displicentes
Ao pôr-do sol
Que em silêncio, concordam da beleza,
Juntos.
O bom de ser dois
É a solidão em dobro, saudade dupla
Sanadas com os lábios de reencontro
Juntos.
O bom de ser dois é sempre o vestígio
De risos cúmplices na casa sagrada
De forças motrizes que impelem
Braços, pernas, lua e pensamento
A ficarem inevitavelmente
Juntos.

Hexagrama

Essa sim
Difícil arte de manter-se inteiro.
É que de vez quando
Alguém, com um beijo
leva-te um pedaço.
à noite, eu choro a perda e
De manhã, na sombra obrigação,
Eu me reinvento, me refaço.

Em cima, vento
Embaixo, lago.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cartografia

As estrelas apontam para onde?
Para o Norte do céu,
Lá se vão as almas bondosas que respeitam seus amantes
E se compadecem de seu amor sem explicação,
Aos pares,
E não parecem gêmeas
A vida é feita de opostos que se adoram até na respiração da fala casual
No mais escuro azul estão suas histórias
Sorteadas entre infortúnios de miríades de desencontros
No meio de maçãs apodrecidas pelo tempo,
Um medalhão escrito eu e tu.

No horizonte, diante do ar congelado pela manhã
Alguns decidem dizer não, e não e não
E surge no céu uma porta fechada uma janela aberta
Com estrelas apontando
Para o mais previsível dos lugares
Aquele abismo inexorável de peito eu e tu.

Vertigem

Meu amor, arruma a cama
por favor
E leva teu cheiro embora
Está na hora do de repente
Não quero morrer
Como quem morre de sede
E sim em uma tragédia
Cheia de fogos de artifício
Talvez me atire de uma ponte alta
Em cima da margarida
Que não devia ter nascido.