sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Presságio

São flores, são flores, são flores
O desenho de outras vidas
Nas nervuras quietas de tua boca,
Não era jardim o antigo ontem, não era não
O antigo amigo, o velho amante
Não era?

E se não fosse?
E se não era, no muro
A primavera, o calor da noite
A hera na santa,
O cheiro da erva
A água da fonte?
Se era! Se era...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O Segredo do Beijo

Não sei se espero, e até que ponto
Também, esperas e tremes
Por boca e segredo
E hálito também espera
Lábio encontro e medo
Que em um canto
Beija e treme
E pronto.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Fato

Envergonhado,
Quase que calado
Pra mim mesmo
Nego-te o que te prometi
Antes mesmo que eu nascesse:
O amor.
Promessa imbecil
De quem morre e não aprende
Que ao amor é um conjunto de inúmeras vidas atônitas
Perguntando “por que”.
Mil anos depois
Apareces em minha janela
Um ser incompleto:
Tu, e trazes mais perguntas que repostas.
Aponto pra o céu,
Uma eterna pergunta
Feita de azul e infinito.
Deuses farão templos,
Astronautas conquistarão planetas
Mas teu coração sem dono continua inexplorado
E eu, velho de tanto cotidiano,
Já estou cansado de ser Robson Crusoe.

Sandice

O vento vem e diz:
Não te apaixones...
Se não aquelas pequenas flores amarelas e fedidas
Viram rosas!
E não são as rosas
Que a negra poupançuda põe no cabelo
E vai lavar roupas cantarolando.
Paixão, paixão
Não precisas dela!
Só dos óculos rotineiros de sentar e escrever
Há paixão nisto também
Mas é uma paixão resoluta que nunca casou.
A que te falo
É perigosa
Gosta tanto de pregar peças
Quanto o ourives do metal
E vai talhando teu peito
De dor e desejo, de cores fluorescentes.
Então não te apaixones,
Vai com as crianças à escola,
Vai com as freiras à missa,
O amor não é prêmio nem prenda
É herança da insônia.